Justiça leiloa imóveis da Dalçóquio e do antigo Vitória

Quatro carros, seis caminhões ou carrocerias, um ar condicionado, duas máquinas têxteis e um equipamento de fisioterapia, 16 imóveis, entre terrenões, apartamentos, galpões e salas comerciais, um compactador industrial, quatro motos, um kit de moldes plásticos, um equipamento de som e produtos químicos.

O leilão que a justiça Federal faz amanhã em Itajaí até passaria despercebido se não fosse pela venda de imóveis de duas grandes empresas que fazem parte da história da economia recente de Itajaí: a famosa rede de supermercados Vitória e a gigante Dalçóquio Transportes, que já foi a maior transportadora de combustíveis líquidos do país.

E não é somente pelas empresas que o leilão pode ser considerado um dos mais importantes já realizado por aqui. O valor de alguns imóveis também o alça a uma importância única.

O mais caro de todos é o antigo Vitória da avenida Nereu Ramos, em Itapema, que vai ser oferecido por volumosos R$ 55 milhões. “Não é comum imóveis com esse valor. Tem que ter uma dívida muito grande para ser uma penhora dessa categoria”, comenta a leiloeira Tatiane Duarte, que fará o pregão.

E bota dívida grande nisso. Só a dívida da Dalçóquio chega a R$ 500 milhões. “São execuções da Fazenda Nacional referente ao INSS, PIS, Confins, essas coisas”, explica o advogado Marco Antônio Cachel, procurador da família Dalçoquio.

O fato da transportadora ter sido vendida no ano passado não vai interferir na oferta dos dois grandes imóveis: a sede da firma, que fica nas margens da rodovia Jorge Lacerda e que tá avaliada em R$ 15,2 milhões; e um terrenão sem construções também nos Espinheiros, que vai ser oferecido por R$ 5,8 milhões.

Cachel diz que quando o empresário Augusto Dalçoquio Neto vendeu a empresa, fez constar no contrato que os imóveis retornariam à família em 720 dias. “Não tem risco. Essa é a vantagem em leilão. Se a pessoa compra em leilão, ele não leva o passivo da empresa. É uma compra segura,” reforça Tatiane.

A situação do Vitória é diferente. O grupo teve falência decretada e deve pra governos, empresas e trabalhadores. “Esses bens eles têm outras penhoras em outros processos. É uma briga jurídica muito antiga; tem na justiça do trabalho, na estadual, na federal”, afirma a leiloeira. No entanto, garante, nada disso vai prejudicar quem comprar os imóveis. “A pessoa que vai arrematar recebe os bens livres da penhora. O próprio juiz federal manda os cartórios dar baixa em todas essas restrições”, explica.

O prédio da avenida Brasil, no centro do Balneário, que já foi ocupado pela rede Zoni, vai ser vendido por R$ 54 milhões.

O leilão acontece a partir das 13h de quarta-feira no auditório do prédio da Justiça Federal, que fica na avenida Abraão João Francisco, a Contorno Sul, perto da câmara de Vereadores. O que não for vendido no dia 16, volta a pregão em 30 de março.

Fonte: Diarinho